Lógica e argumentação científica
Dalila Rodrigues Souza
Gabriela Anízio Caldas
Julia Gabriella Nogueira Munhoz
A performance de líderes, o surgimento de novos movimentos, as relações humanas nos mais variados ambientes. Observações que fomentam perguntas e respostas e impulsionam pesquisas. Para Kenneth Miller essa é a definição de ciência: atividade humana que procura explicações naturais para o que observamos, o que deixa clara a relação entre o fenômeno observado com a explicação construída. Uma temática que vem ganhando uma produção científica expressiva quando relacionada a argumentação e lógica.
Para entender de que forma uma ideia justificava a outra, Aristóteles aposta na área da lógica, enquanto que a argumentação transita pelo articular raciocínios, tendo origem na Grécia Antiga. Sendo que em um viés mais contemporâneo, o estudo da argumentação é envolto de uma abordagem interdisciplinar.
No campo da lógica, Aristóteles a divide em formal e informal. Sendo que a lógica informal investiga a relação do raciocínio com a realidade, a formal está focada na estrutura de pensamento e organização.
Partindo de uma linha mais contemporânea, Wenzel (1990) apresenta três formas de pensar argumentação. Na retórica, há a ideia de persuasão, quando a argumentação está alinhada a um discurso com poder de influência em classes e núcleos sociais na tomada de decisões. Na dialética, o argumento está aliado a um sistema de interação, por meio de debates. Já na perspectiva lógica, o argumento é formado por afirmativas pautadas por evidências. Estando, as três, relacionadas aos interesses para os quais cada uma se dirige.
Há autores ainda que entendem a argumentação como uma atividade verbal, reconhecendo, ainda assim, a comunicação não verbal, incluindo a performance de quem se comunica com gestos e expressões faciais, como argumentação, a exemplo de Van Emeren et al. (1996). Ressaltando que a performance deve complementar a comunicação verbal. O autor ainda concebe a argumentação como atividade social, sendo ainda mais evidente quando há um debate ou discussão com duas ou mais pessoas.
O que transita por ideia adversa da perspectiva apresentada por Van Emeren et al. (1996) é apresentado por Billig (1987), de que não há possibilidade de argumentação em uma discussão ou debate com duas ou mais pessoas, quando não a discordância, ou seja, quando todos concordam uns com os outros. Para eles, a argumentação consiste justamente na divergência de opiniões, no debate de ideias contrárias e diferentes pontos de vista. Baker (2009), por sua vez, defende que a argumentação pode ocorrer mesmo quando as opiniões são as mesmas.
O que vale ser considerado ainda é que, em
que pese lógica e argumentação terem os registros históricos
desde a Grécia Antiga, com Aristóteles. O tema ainda transita pela
interdisciplinariedade do contemporâneo tendo a argumentação
científica pouco espaço nas salas de aula de ciências. Para
entender como algumas ideias são fundamentadas em outras, a
filosofia divide seus conceitos/estudos e apostas em mais áreas,
como chegamos a conclusões necessárias e nem sempre verdadeiras.
Estas perspectivas nos levam a entender que os cientistas conseguem argumentar, mesmo sem ter ciência de que sabem fazê-lo.
Ao que se propõe discutir sobre a argumentação científica é possível transitar e contribuir pelos três objetos de pesquisa. Seja contribuindo para argumentar sobre quais e como serão os efeitos diretos e indiretos de determinadas tecnologias para os trabalhadores e, consequentemente, para as relações de emprego no período contemporâneo; para analisar e propor novas formas de comunicação e cultura no agronegócio, focando a participação de mulheres, e identificar como isso está movimentando/transformando o setor; ou para promover análises e discussões que visem contribuir com a conservação e valorização do patrimônio imaterial da sociedade, que é a linguagem / o falar cuiabano.
Referências
MENDONÇA, P. C. C.; JUSTI, R. D. S. Ensino-Aprendizagem de Ciências e Argumentação: Discussões e Questões Atuais. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação e Ciências, p.187-216. 2013. ISSN 1806-5104. Acesso em: 11/10/2020.
Muito bem escrito o início do texto, onde os autores conseguem afunilar os conceitos, trazendo cada vez mais os leitores para a direção desejada. Destaque também para o final, no qual sem ser taxativo, o texto consegue encerrar todos os temas abertos anteriormente.
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