Credibilidade na pesquisa cientifica: A importância da fundamentação no estudo e nos pressupostos metodológicos.
Uma pesquisa muito bem fundamentada se dá pelo motivo desta estar apoiada em pressupostos metodológicos assim evitando erros cometidos principalmente durante planejamento como também na execução de um estudo que resultam em possíveis distorções de seus resultados.
Assim, a pesquisa científica que tenha em seus resultados equívocos, possibilita uma leitura sobre duas explicações possíveis. A primeira se dá pela a cientificidade da mesma, motivo pelo qual, seguidos todos os princípios e o rigor científico desta forma generalizando seus resultados para todo o seu universo. O segundo ponto é pelo fato desta não ocorrer a-observância rigorosa da metodologia científica, o que, invariavelmente, produz resultados distorcidos, invalidando a pesquisa do ponto de vista científico (LAMEIRÃO, 2014).
Todavia, ao buscar que a pesquisa se tenha credibilidade é de fundamental importância que ocorra o seu controle metodológico, o qual, por sua vez, depende da observância a critérios técnicos no processo de medição como a confiabilidade e a validade. Em se tratando de confiabilidade, a precisão na medição, ou seja, quando uma variável for medida repetidamente ela deve apresentar sempre o mesmo resultado. Quando se trata da validade, esta é entendida como a capacidade de acurácia (ou exatidão) de uma medida, isto é, sua habilidade de medir adequadamente os conceitos que estão sendo investigados (BABBIE, 2003; GIL, 2008; SACCOL, 2009). A partir das conjecturas apresentadas e preceitos descritos, ocorremos aqui três pesquisas cientificas em andamento em diferentes regiões e situações, o qual o planejamento e desenvolvimento a cerca dos objetos sejam importantes.
O estudo sobre a temática com a designação da terminologia paisagem sonora vem sem objeto de estudo do mestrando Luiz Francisco de Paula Ipolito, tem sua origem epistemologicamente no Canadá em meados da década de 60 o qual tinham como proposito a análise do ambiente acústico como um todo, mais tarde esse movimento viria a ser denominado como Soundscape (Paisagem Sonora) que foi um neologismo introduzido por Schafer que pretendia criar uma relação com a palavra Landscape (Paisagem). Segundo Schafer (2001, p. 366) seria então: “o ambiente sonoro: Tecnicamente, qualquer porção do ambiente sonoro vista como um campo de estudos.”
Acerca da música contemporânea e o seu uso como prática, Reibel (1984) constata uma dificuldade, por parte do ouvinte, na compreensão de sua estrutura em detrimento da música tradicional a que somos expostos diariamente., a música contemporânea, como prática musical, causa estranheza a muitos que a escutam pelo fato de a mesma descontruir alguns preceitos normativos encontrados na música tradicional ocidental no que diz respeito a escrita, harmonia e instrumentos.
Tal prática gera uma necessidade de grafia musical que a escrita tradicional não é suficiente desta forma, há o surgimento de uma grafia não tradicional adaptável a essas produções para dar conta dessas novas nuanças sonoras no período conforme salienta Vertamatti (2008, p 16) e Rodrigues (2016, p. 09)
A importância deste tema é proporcionar por meio da música contemporânea novos caminhos e possibilidades, sugerindo experimentações, criações e à exploração da diversidade de linguagens sonoras, conforme defende em seus estudos Borges (2008).
Em um dos eixos norteadores da pesquisa do doutorando Thiago Oliveira da Silva é embasado em torno dos aspectos psicossociais na velhice, pois, o envelhecimento da população foi identificado como uma das quatro megatendências que irão trazer uma nova configuração para o cenário mundial nos próximos 15 anos (Heraty & McCarthy, 2015).
Além disso, a projeção demográfica brasileira, os custos da previdência para as contas públicas e a existência do déficit previdenciário indicam a necessidade de ajustes no sistema previdenciário brasileiro (Ataides & Santos, 2017; Garcia & Haro, 2017). Nesse sentido, a iminência de uma explosão demográfica exigirá o aumento dos gastos públicos para atender a população de velhos e velhas, a autora também traz um dado importante para um problema previsto nos anos 2000, a população brasileira cresceria a taxas oito vezes superiores aos índices de crescimento da população jovem, conforme aponta DEBERT (2012).
Desse modo, ser velho na sociedade capitalista é sobreviver. Sofrendo as adversidades do corpo, a velhice, não existe para si, mas somente para o outro. E este outro é um opressor (BOSI, 1994).
Já o doutorando Atílio Viviani Neto em sua pesquisa no território de Vila Bela/MT, buscar constatar a existência patrimônio imaterial a ser resgatado de suas ruinas. Isso se deve ao fato do grande fluxo de escravos que foram trazidos no século XVIII para trabalhar, sobretudo nas minerações, nas produções agrícolas e na construção civil; e muito dessa memória é transmitida pelas gerações que seguem, por meio da tradição oral, não produzindo documentos suficientes para conhecimento adequado das diversas dimensões sociais e dos acontecimentos ocorridos (CHAVES, 2000). Nem mesmo o ensino formal do município e da região trabalha a história de forma satisfatória, mesmo sendo uma cidade preponderante negra com suas diversas tradições, “festanças do Congo” e quatro quilombos em processo de demarcação das terras tradicionais que ocuparam.
Fato relevante na história e que repercute na formação de uma cosmologia negra/amazônica regional própria, é a fuga da elite portuguesa para Cuiabá com a falência das minas na região no século XIX. Dessa forma, em agosto de 1835 todos moradores da cidade e das fazendas abandonam seus “bens”, incluso os escravos, e migram para Cuiabá, a nova capital que estabelecia suas redes de ligação comercial com o sudeste, sul e nordeste. E por aproximadamente 10 anos a cidade ficou vazia de gentes, com a população negra escondida nas florestas pelo fato da insegurança em relação ao retorno das “personas coloniais” e seu modelo de escravização, (VOLPATO, 1996). Deste modo, parte dos afrodescendentes, seja dos quilombos ou escravos abandonados nas fazendas de seus antigos donos, começaram a repovoar a cidade; e curiosamente, hoje o centro da cidade e seus casarões históricos são de posse dos descendentes de escravos, inclusive com processo reivindicatório de usucapião coletivo do conjunto predial central.
Dessa forma, o Mato Grosso e suas diversas regiões, inclusa Vila Bela, recebe um contingente muito grande de migrantes e latifundiários, vindo sobretudo do sul e sudeste. Com esse objetivo o governo inaugura o que se denominou “Operação Amazônia”, um complexo de leis e medidas administrativas, visando promover a definitiva integração da região ao contexto socioeconômico nacional.
Nesse período, uma das medidas que o Estado toma é empreender grandes projetos de colonização na Amazônia, fazendo com que a luta pela terra não se transformasse em uma reforma agrária de fato. O Estado utiliza seu aparato para distribuir algumas terras e para não distribuir as terras de fato. Assim, a colonização dirigida pode ser entendida como uma “contra-reforma agrária” (IANNI, 1979). O estado de Mato Grosso nesse período tornou-se uma área estratégica para ser ocupada com agricultores de áreas de conflito e de modernização agrícola pelo latifúndio.
O programa do governo de desmembramento dos lotes, tornavam cada vez mais difícil a sobrevivência dos agricultores familiares de pequenos lotes. Para atender os anseios dessa parcela da população o Estado, aliado às empresas particulares de colonização, lançam mão de uma ostensiva propaganda que aponta a Amazônia como um espaço vazio a ser incorporado aos demais centros produtivos, estimulando os agricultores a se tornarem colonos, nos projetos de colonização do INCRA e das cooperativas de colonização na Amazônia. O prêmio para os que aceitassem era a possibilidade de explorar as riquezas da Amazônia. Segundo dados do INCRA, responsável pela política de colonização, em 1981, cento e uma (101) empresas de colonização estavam autorizadas a funcionar no país, sendo que desse montante 42% estavam atuando no Estado de Mato Grosso, no período de 1970 a 1981. Considerando-se os registros de empresas de colonização cassados, essa porcentagem passa para 52% das empresas atuando em território mato-grossense (BERNARDY, 2009).
E por meio da (re)colonização e introdução de uma cosmopolítica específica, inicia-se tensão sobre usos da terra e da floresta em Vila Bela, com o “deslocamento” dos quilombolas de seus territórios, afetivos e físicos, tradicionalmente ocupados/inventados, para implantação da lógica de colonialismo interno (CESAIRE, 2010) impondo subjetividades, resignificando as cosmovisões, produzindo cartografias socioculturais e imprimindo na paisagem seus novos valores de relação Humano-Natureza.
Entretanto, existem artefatos culturais ancestrais que ainda resistem em meio a escombros e são marcados por muita potência discursiva nos imaginários e nas manifestações sócio culturais (LOURDES BANDEIRA, 2015) que, aparentemente parecem despretensiosas, porém carregam Tereza e os Seus no ‘breu da Mata Encantada”.
Por fim, em geral, as investigações possam ocorrer erros e limitações durante o processo de pesquisa, compete ao cientista exercer o controle metodológico de seu estudo a fim de eliminar ou limitar todas as possíveis fontes de erros sistemáticos, assim tornando-a coesa e confiável.
BIBLIOGRAFIAS
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