Argumentação lógica aplicada à ciência
Autores: Ana Cláudia Vitório de Carvalho Góes; e Everton Nazareth Rossete Junior. (GRUPO 01)
Lógica é um dos campos da filosofia que se dedica ao estudo do pensamento humano, que teve origem com Aristóteles na Grécia Antiga. Segundo a cartilha didática Raciocínio Lógico, (2020), o seu principal objetivo sempre foi, claramente, fornecer subsídios para a produção de um bom raciocínio. O bom raciocínio pode ser considerado como aquele que se apresenta de maneira clara e ordenada facilitando a compreensão do interlocutor.
É importante frisar que o raciocínio lógico não se preocupa com os pormenores sobre as condições sob as quais ele foi concebido, mas importa sua forma, importa que ele tenha coerência e que apresente relações entre suas premissas e suas conclusões. (RACIOCÍNIO LÓGICO, 2020)
Desde os tempos de Aristóteles as discussões acerca da lógica são direcionadas sob duas perspectivas, a da “lógica formal” e a da “lógica material”. Para Mendonça e Justi, (2013), ambas estão diretamente relacionadas ao pensamento acerca da relação entre conhecimento e verdade, sendo que a lógica formal se valida pela forma com que apresenta suas afirmativas e a conclusão se dá como uma consequência das premissas.
Ainda sobre a lógica formal:
Para esse campo de estudos da lógica, o conteúdo ou a matéria do raciocínio tem uma importância relativa. A preocupação sempre será com a sua forma. A forma é respeitada quando se preenchem as exigências de coerência interna, mesmo que as conclusões possam ser absurdas do ponto de vista material (conteúdo). Nem sempre um raciocínio formalmente correto corresponde àquilo que chamamos de realidade dos fatos. (RACIOCÍNIO LÓGICO, 2020, P.1)
Já para a lógica material, ou lógica informal, o intuito é “desenvolver procedimentos para análise, interpretação, avaliação, crítica e construção da argumentação no discurso cotidiano” (MENDONÇA E JUSTI, 2013, p. 190). Ou seja, o pensamento se apresenta por meio de justificativas embasadas em dados, que podem comprovar sua veracidade.
A lógica informal, pode ser entendida como uma das ferramentas a serem adotadas para produção da ciência, e quando aliada à argumentação, ela se prestará a apresentar suas justificativas através de um diálogo pautado em dados com a função de convencer do que está a apresentar, sendo que a argumentação é definida na cartilha Raciocínio Logico, 2020, como a organização dos raciocínios com técnica e arte de modo a convencer a plateia, o leitor ou interlocutor.
Sobre a argumentação:
Há necessidade urgente de uma teoria de argumentação que descreva a maneira como a argumentação ocorre, de forma complementar à lógica. Essa teoria deve lidar com disputas que envolvem valores, que não podem ser resolvidas por verificação empírica ou provas formais e nem pela combinação de ambos. A teoria deverá mostrar como escolhas e decisões são tomadas através de justificativas por motivos racionais. (VAN EEMEREN et al. 1996, apud MENDONÇA E JUSTI, 2013, p.191)
Corroborando com a afirmação de Van Eemeren et al., Toulmin (1958) (apud MENDONÇA E JUSTI, 2013, p. 191) demonstra através do gráfico abaixo a estrutura de um argumento, e define o mesmo como “uma afirmativa acompanhada de sua justificativa”.
Figura 1 - Estrutura do Argumento
Fonte: MENDONÇA E JUSTI, 2013
Através da estrutura apresentada pode-se entender que o argumento depende dos dados que apresenta durante a discussão para que o leitor chegue a uma conclusão. Os dados são as evidências que suportam o argumento e devem ser justificados pela garantia, que por sua vez, é justificada pelas afirmativas dadas pelo apoio e que faz as conexões entre os dados e a conclusão. Há ainda uma condição específica nos argumentos onde o qualificador e a refutação também estão presentes em sua estrutura, sendo o qualificador o “elemento que qualifica a conclusão em função da ponderação entre os elementos de justificativa e de refutação” e a refutação trata de uma condição específica onde as garantias não são suficientes para dar suporte à conclusão.
Diante do exposto, pode-se exemplificar através de projetos de pesquisa em andamento, como se dá a aplicação de uma argumentação lógica. Para estruturação do argumento lógico da pesquisa acerca de que formas e com quais intensidades as representações arquitetônicas nos cenários de novelas brasileiras reproduzem e/ou influenciam o imaginário popular, por exemplo, será necessário levantar os dados, garantias e apoios que serão os embasamentos para sustentar a argumentação proposta. Para tanto, será necessário identificar de que formas e intensidades estas representações da arquitetura em cenários de novelas reproduzem e influenciam o que é idealizado e produzido enquanto produto consumido de arquitetura. É preciso averiguar também, as influências das telenovelas em elementos cotidianos dos telespectadores, para então identificar quais elementos e símbolos cenográficos costumam reforçar características identitárias nas personagens envolvidas. Pode-se então estimar quais destes elementos e símbolos eram, ou tornaram-se produtos consumidos no mercado da arquitetura à época de transmissão das telenovelas a serem estudadas. Tais averiguações se darão por meio de análises comportamentais e mercadológicas que ao serem expostas farão o diálogo entre os dados e a conclusão a que se chegará.
Também sobre a pesquisa acerca da influência das referências internacionais na conformação arquitetônica do Centro Histórico da cidade de Cuiabá-MT, o levantamento de dados e discussão entre os dados levantados se dará por meio de pesquisa bibliográfica, onde será visualizado o percurso pelo qual as edificações passaram, verificando como e quais influências internacionais foram utilizadas como referência para sua construção, bem como focar na maneira pela qual elas foram adquiridas pelos seus idealizadores, demonstrando assim, a relação das imigrações com a conformação da linguagem arquitetônica do centro histórico. Além da pesquisa bibliográfica, será necessária uma identificação física das linguagens arquitetônicas adotadas, sendo essa uma prova material de suas referências que ao serem cruzadas com o histórico da edificação demonstram sua origem estilística.
Ambas as investigações realizadas nestas pesquisas, serão responsáveis primeiramente por propor a discussão inicial, onde os dados levantados se darão como evidências que suportarão as afirmativas propostas nos objetos de estudos mencionados, por sua vez, o diálogo das afirmativas dos diversos autores que embasarão a pesquisa realizada bibliograficamente, bem como os levantamentos empíricos, mercadológico no caso das influências das novelas no consumo da arquitetura, e estético no caso da averiguação dos estilos arquitetônicos que compõe a paisagem histórica cuiabana, serão a garantia da pesquisa, fornecendo afirmativas que justificarão as conexões entre os dados obtidos e a conclusão a que se chegará, onde por fim, será possível chegar-se a uma conclusão que se dará por meio das afirmativas realizadas em torno de todos os dados levantados. Dessa maneira é possível visualizar através dos exemplos dados, como pesquisas reais, se enquadram dentro da estrutura do argumento proposta por Toulmin, o qual se dará através do diálogo proposto pela lógica, onde as justificativas se darão por meio de um diálogo pautado em dados a fim de convencer o leitor.
Referências
MENDONÇA, P. C. C.; JUSTI, R. D. S. Ensino-Aprendizagem de Ciências e Argumentação: Discussões e Questões Atuais. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação e Ciências, p.187-216. 2013. ISSN 1806-5104.
RACIOCÍNIO LÓGICO. Lógica da Argumentação. Cartilha didática. Disponível em: http://colegioriachuelo.com.br/fundamental/static/downloads/estudos/1/FILOSOFIA%201%C2%BA%20ANO-2.pdf. Acesso em: 10/10/2020.
Texto bastante didático, uma pequena introdução direcionada à aplicação da lógica no campo da produção científica. Exatamente o que havia sido solicitado. Houve um atendimento integral. Também incluiu dados sobre os interesses dos respectivos integrantes.
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