Compreensão dos Fenômenos e a Produção da Ciência – O Desafio/Falha da Humanidade na busca do conhecimento “Real”.

 

Atílio Viviani Neto
Luiz Francisco Ipolito
Thiago Oliveira da Silva


        A busca pela compreensão dos fenômenos da natureza e da vida social, está presente no imaginário humano a milênios, conforme os diversos registros procurados, encontrados e acumulados vindos da Grécia, Egito, Mesopotâmia, China, Palestina, Índia, entre outros territórios; por figuras que se dedicam integralmente as ciências, e que também querem entender e datar essa necessidade de compreensão a que foi dado o nome de: Ciência.
        Em 1833 essa atividade de busca pela “verdade” sobre eventos do mundo, inscreve-se na ideia de profissão, com dedicação plena, categorizada como oficio “Moderno”, pelo inglês William Whewell, que inventa o termo: Cientista.
        Porém, o paradigma cientifico, levou tempo pra se consolidar e ganhar a confiança social necessária para influenciar a vida administrativo/político/jurídico. E com o triunfo do iluminismo nos séculos XIX e XX, sistemas de submissão e verificação aos pares (agora cientistas) tornaram-se cada vez mais sofisticados. E para teorias e descobertas serem consideradas válidas como produções de conhecimento, teriam que passar por longo caminho de analises e verificação dos métodos mais adequados para assim entrar no seleto mundo do: Fazer Ciência.
        Nesse sentido de construção de paradigmas e validades nas ciências, importante trazer as elaborações epistemológicas de Popper e Kuhn. Foram dois grandes personagens que pensaram sobre o desenvolvimento da ciência contemporânea do século XX. A influência que Kuhn exerceu sobre a comunidade científica que, antes dele, baseava-se nos pensadores do Círculo de Viena e na obra de Popper. 
       Embora com diferenças profundas, Popper, propõe uma alternativa ao princípio da verificabilidade, principal fundamento dos pensadores do Círculo de Viena –, Popper e os pensadores do Círculo de Viena compartilhavam uma visão da ciência descolada da história e da crítica à metafísica. A ciência era entendida por eles a partir da noção de progresso; a ciência se desenvolveria na aplicação de um método rigoroso válido para todas as ciências, ou seja, universalizante.
        Popper questionou o princípio da verificabilidade. Se eles pensavam que aquilo que não tivesse possibilidade de verificação deveria ser retirado da produção científica. Popper chamou a atenção para a limitação do método indutivo. A ciência poderia, segundo ele, selecionar os fenômenos a serem estudados a partir de uma suposição, de forma que sempre conseguiriam provar seus pontos de vista.
Kuhn, diferentemente de Popper que pensava a ciência progredindo por meio de refutações, criou o conceito de “paradigma”. No entanto, o que ele pretendia dizer com “paradigma” não tem um sentido único em sua obra, A Estrutura das Revoluções Científicas: nela constam dezenas de significados diferentes. 
        Assim, ao ocorrer inicialmente o desenvolvimento de uma ciência, por meio de um coletivo ou mesmo um indivíduo que produz uma síntese sendo essa capaz de movimentar e acenar para uma parcela futura de pesquisadores, o que se pensa como ensinamentos mais antigos começam a declinar até que gradativamente deixam de existir. Desta forma, o deixar de existir, é algo naturalmente ocasionado em virtude pela conversão de seus adeptos ao novo paradigma, porém não em sua totalidade, o que leva alguns que se aferram a uma ou outra das concepções mais antigas e são simplesmente excluídos da profissão e seus trabalhos ignorados. O novo paradigma implica uma definição nova e mais rígida do campo de estudos (KUHN, 2011, p.39)
        De uma forma sintetizada, para Kuhn, a ciência aprimora-se pela criação e abandono de paradigmas, modelos consensuais adotados pela comunidade científica de um período histórico. Depois de estabelecido um paradigma, haveria um período histórico em que os cientistas desenvolveriam as noções e problemas a partir do paradigma adotado. 
        Esse período foi chamado por ele de “Ciência Normal”, período no qual se acumulam descobertas, um período de estabilidade de opiniões a respeito de pontos fundamentais. Quando o paradigma é questionado, surge um momento de crise; no entanto, o paradigma ainda não é abandonado. Os cientistas dedicam seus esforços para resolver questões tensionadas. Chega-se a um ponto, porém, em que não é mais possível resolver tais anomalias e isso leva a uma “revolução científica”, momento no qual desponta um novo paradigma. Esse paradigma não é superior ao anterior, apenas atende mais as necessidades do período histórico em que os cientistas estão inseridos.
        A ciência normal, incide sobre um revigoramento do paradigma, assim obtém uma ampliação de conhecimento apresentado particularmente como relevantes, portanto aumentando a correlação entre esses fatos e as predições do paradigma e articulando ainda mais o próprio paradigma.
        A cerca da importância de estar em concordância, à não-observância rigorosa da metodologia científica, o que, invariavelmente, produz resultados distorcidos, invalidando a pesquisa do ponto de vista científico, assim tomando ciência dos caminhos a percorrer procurando credibilidade e concretude na pesquisa o qual está diretamente ligada ao controle metodológico, que por sua vez, depende da observância de dois critérios técnicos no processo de medição: a confiabilidade e a validade. 
        Contudo, por meio de um controle metodológico mais cuidadoso, evita-se que cause ou ao menos minimize as possibilidades de erros ou mesmo um viés inadequado na pesquisa e, portanto, garantindo que os trabalhos resultantes sejam considerados confiáveis e válidos. 
        Em outro contexto, os estudos sobre velhice envolvem procedimentos complexos e pouco estudados até o ano 2000 a maioria dos estudos estava voltada para essa etapa da vida como medicalização, solidão, sofrimento e moribundos, esses exemplos demonstram que os estudos sobre a velhice desnaturalizava os indivíduos deixando escapar suas vivencias, memórias e percepções sob o ângulo de uma lente estereotipada. Assim, alguns desses estudos à época foram considerados incompletos pela desconstrução da rede de relação tecidas pelos próprios velhos/velhas.
        Finalizando, é importante a prática de pesquisa estar em conformidade com os paradigmas consolidados e se ater aos pressupostos que são aceitos, para dessa forma não ter questionado os conteúdos a serem produzidos ou mesmo invalidada toda o caminho e pesquisa elaborada arduamente pelo pesquisador.

REFERÊNCIAS

DOS PRAZERES, Alexandre de Jesus. ANÁLISE DO LIVRO “A ESTRUTURA DAS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS” DE THOMAS KUHN.

LAMEIRÃO, Adriana Paz. O Controle metodológico como meio para assegurar a credibilidade de uma pesquisa de survey. Pensamento Plural, n. 14, p. 41-63, 2014.

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Editora Perspectiva S.A, 1997.

POPPER, Karl R. A Lógica da Pesquisa Científica. Trad. Leônidas Hegenberg. São Paulo: Cultrix, 2° ed., 1974.

Comentários

  1. Texto rigoroso, bem escrito e que permite o pensamento crítico sobre o tema proposto. Boa recuperação de autores de base, como Popper e Kuhn.

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