UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA ANÁLISE DE AGENTES MIDIÁTICOS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ESTUDOS DE CULTURA
CONTEMPORÂNEA – ECCO
Disciplina: Escritura Científica.
Ministrada pela Prof. Dr.ª Andréa Ferraz Fernandez em Ensino a Distância (EaD) – 2020/2, no período de 30/09/2020 a 13/11/2020.
Alessandra Pereira da Paz
pazalessandra@terra.com.br
Mestranda ECCO
Aparecido Santos do Carmo
Mestrando ECCO
José Elias Antunes Neto
Mestrando ECCO
O que é ser migrante? Essa pergunta nos coloca em situação incômoda para responder sem que busquemos do principal interessado no assunto a sua resposta. Não resta dúvida que encontraremos no campo da teoria diversas explicações, como: aquele que sai do local de origem e estabelece-se no local destino. Visitando os textos de Canclini em “Culturas Hibridas”, vamos encontrar termos como reterritorialização ou desterritorialização, palavras que dizem respeito àqueles que se locomovem por estados, municípios ou de um país para o outro fixando residência temporária ou definitivamente. Ainda podemos afirmar que migrante é aquele que deixa a sua terra em busca de um lugar para morar e trabalhar. O êxodo, na maioria das vezes, é provocado por crises políticas, econômicas e sociais ou catástrofes, porém há os que se mudam por vontade própria, muitas vezes pelo prazer de conhecer e experimentar uma nova realidade.
Falar sobre um assunto em uma pesquisa científica exige obediência a uma série de determinações que vão muito além das regras como formato de uma escrita, mas não opinar e dialogar com diversos autores, inclusive os que são contrários ao pensamento de quem ora escreve. Então, qual a metodologia correta para abordar o tema de uma dissertação ou tese? Evidente que os métodos são muitos e não caberia enumerá-los aqui. Para entender um pouco mais sobre migrantes e falar sobre os métodos de abordagem, percorremos três artigos com diversos autores que escreveram sobre o migrante, abordando temas como refúgio, saúde e perspectivas socioculturais. Percebemos que, pelo menos nas obras as quais visitamos, todos os autores trabalham com pesquisa de documentos, números consolidados, informações de instituições internacionais como a UNESCO e dados oficiais disponibilizadas pelos órgãos governamentais.
Diante do exposto, percebe-se que é inegável a importância de trabalhos que reúnam informações e entreguem uma conclusão sob a luz dos saberes adquiridos por meio da pesquisa documental, enquanto registro de um acontecimento no tempo e espaço, pois serão fontes de pesquisa e testemunhas da história. Entretanto, acreditamos que muito se fala do outro, sem que seja dada voz ao outro. Em nosso trabalho sobre a mídia e o venezuelano, pretendemos realizar o exercício do grupo focal, onde o pesquisador estará frente a frente com o público pesquisado para buscar em suas palavras o sentimento mais próximo da sua realidade. É possível que a metodologia do grupo focal exija um cuidado diferenciado, já que estaremos lidando direto com os sentimentos de quem responde, podendo o perguntado escamotear, supervalorizar ou responder de forma que possa desqualificar o trabalho. Sendo assim, estaremos diante de um “formato” que pode nos induzir ao erro e, consequentemente, o descrédito do resultado final. Logo, jamais poderemos nos encantar com as mais belas histórias. Há no exercício cotidiano do jornalismo uma máxima que diz: “devemos desconfiar sempre”. Trata-se da formação da notícia, desde a apuração do fato até a conclusão do texto e finalização da reportagem em qualquer das plataformas midiáticas onde a peça jornalística venha ser veiculada. Porém, não se pode levar a desconfiança aos extremos para não condenarmos tudo e todos. Cabe o bom senso e a vigilância constante, realizando sempre a checagem da informação e o cruzamento das fontes para se chegar a uma conclusão.
Tão importante quanto estudar os migrantes e sua relação com a mídia, é compreender como os veículos midiáticos produzem sentidos e conseguem transmitir valores sociais para um determinado conjunto de pessoas, sejam eles ou não nativos de uma região. No caso, das personalidades da mídia, contudo, o foco é o outro, como eles são representados a fim de justificar um determinado discurso vendido com o material midiático.
Quando Edgar Morin se debruçou sobre as estrelas do cinema e da imprensa de massa, no século passado, talvez ele já soubesse que a tendência era que a influência, popularidade e circulação de capital simbólico e monetário crescesse cada vez mais, que seu poder sobre as “pessoas comuns” aumentaria exponencialmente. Mas talvez nem ele previsse que a internet fosse representar uma grande ruptura naquilo que sabíamos sobre as personalidades adoradas pelas multidões. Se antes eram as estrelas do cinema, como Liz Taylor, e da música, como os Beatles, hoje são pessoas do povo, como Whindersson Nunes e Felipe Neto as seguidas por hordas de pessoas – de modo presencial e virtual, graças às redes sociais.
Na era do espetáculo, descrita por Debord e Vargas Llosa, tudo vira motivo de entretenimento. Tudo pode ser comercializado, consumido, numa eterna venda de felicidade, juventude e beleza. Mesmo o que parece normal. Morin também falou sobre isso, no caso dele especificamente sobre as personalidades de relevo na mídia tradicional, chamava-os de novos olimpianos. Pessoas dotadas de características divinas como a beleza, a inteligência, a força, alguma habilidade sensacional sobressaindo-se num meio eminentemente humano, como no Olimpo de Zeus, Hera e seus familiares.
Essa busca constante pela perfeição é sintoma de uma sociedade narcisista. No nosso caso, ao invés do reflexo diante da fonte de água límpida, o que nos hipnotiza são as telas (de celular, de TV, do computador, etc.), as representações feitas para serem exibidas e consumidas. Ainda mais recentemente, Paula Sibilia e Marta Maia pensaram sobre os efeitos desse comportamento nas narrativas midiáticas construídas e disseminadas atualmente. Assim como os selfies, tais narrativas são centradas no eu, no que eu tenho para oferecer aos outros, como posso me colocar na vitrine a fim de que aquilo que exibo possa ser “comprado”. Dessa forma, nossa imprensa, profundamente afetada por esse comportamento dos seus consumidores em potencial, se vê cada vez mais disposta a reproduzir esse life style, popularizando os formatos e consolidando esses valores. Talvez Narciso não tivesse precisado encontrar um riacho se vivesse em nosso tempo.
Por meio da Análise de Discurso de linha francesa será possível analisar e compreender os valores sociais e normas de conduta compartilhados pelas revistas semanais brasileiras que publicaram perfis biográficos de celebridades no período de 1960 até 2020. O objetivo é compreender melhor de que maneira esses corpo de valores compartilhados socialmente foram se atualizando ao decorrer do tempo e se/como isso afeta a relação dos indivíduos com as mídias e tais personalidades.
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